top of page
Buscar

Um lugar ao sol

  • Foto do escritor: Mara Cornelsen
    Mara Cornelsen
  • 30 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Meio dia. Finco meu guarda-sol na areia e abro a cadeira de praia. Sei, o horário não é o recomendado, mas o calor insuportável faz procurar a brisa da beira mar. Sol escaldante, areia escaldante e gente "saindo pelo ladrão". Típico dia de início de verão.


Estamos naquele limbo entre Natal e Ano Novo, época que muita gente age como se fosse o fim do mundo. Sai fazendo "o quê dá na telha", como se não houvesse amanhã. Há de se tomar cuidado, muito cuidado com estes aloprados.


Chegar na praia não é o problema. Difícil mesmo é escolher seu lugar no merecido pedaço de areia. Numa rápida visão geral, entre o mar de barracas e guardas sol, se tenta escolher um espacinho onde vizinhos não tenham as infernizantes caixas de som ou bolas. Missão quase impossível! Melhor mesmo é tentar ficar próximo dos salva vidas, estes abnegados cuja presença traz um pouco de segurança.


Mal se estende a canga e o vendedor de picolé passa com a roda em cima, jogando areia. Antes mesmo dele se desculpar, aparece o carrinho de milho verde e o dono dá aquela buzinada na orelha, que quase faz o estômago sair pela garganta com o susto. Coisas de praia...


Tem ainda o vendedor de espetinhos que concorda que você escolheu um bom lugar para ficar e ancora sua churrasqueira ambulante bem do ladinho. Mete fogo no carvão, faz fumaceira e tampa a visão do mar. Tudo numa boa, sem constrangimento. Afinal a praia é para todos!


Aparecem ainda o vendedor de redes que a todo custo quer lhe vender uma legítima rede nordestina a preço exorbitante! Mesmo que enfatize que não tem interesse, ele mesmo barganha para você até chegar num valor, digamos, honesto. É uma luta pra se livrar dele, que só vai embora com a promessa de compra nos próximos dias.


Enfim um instante de sossego!


Engana-se.


Do lado direito uma família vai embora e outra imediatamente se instala na vaga. Completinha. Deve ter vindo em caravana. Muita gente mesmo. Armam suas barracas, caixas de isopor com tudo que se possa imaginar de comida e bebida, boias coloridas para as crianças, muitas bolas e uma enorme caixa de som, trazida de arrasto num carrinho de supermercado. E dá-lhe funk com letras nada conservadoras e outros ritmos de gosto muito duvidoso. Tá, a praia é para todos.


Começa o futebolzinho inocente e a bola insiste em te procurar. Boladas, mais areia na cara e criança pedindo a bola de volta enquanto os adultos ficam acenando de longe, com "cara de bunda", apontando o polegar para cima, num positivo como pedido de desculpas. 


Do lado esquerdo aparece outra barraca com som! Tocando o tuch-tuch infernal. E começa a guerra de som impossível de ignorar. O acalanto do barulho das ondas do mar quebrando na areia some de vez! Que tipo de gente é essa que leva barulho para a praia?


Nem vou dizer o que penso...


Da canga para a cadeira, na hercúlea tentativa de manter a paciência e curtir um pouquinho o dia de calor. Qual o quê! O cachorro da mocinha de fio dental escapa da guia e corre fazer xixi na sua bolsa de praia, que inadvertidamente estava no chão. Outro pedido de desculpas acompanhado de um "sorriso amarelo". Pouco depois sou vingada. Um cachorro maior aparece do nada e dá um corridão no mijão! No afã de proteger seu pet, a moça do fio dental corre e tropeça num daqueles fios de barraca, estendidos sem sinalização, para evitar que voem com o vento. Ela se estatela de cara no chão. Definitivamente praia não é lugar de cachorro!


Nova leva de ambulantes passa rente aos seus pés, oferecendo de tudo. Não dão sossego!


Meio dia e meia junto as "tralhas" e volto pra casa. Para o aconchego do ar condicionado e dos livros, eternos bons companheiros. Nesta época do ano a praia é para todos, menos para mim!


Feliz 2026!


praia de céu azul e muitos banhistas embaixo de guarda-sol
Um lugar ao sol

2 comentários


Cristina Camargo
Cristina Camargo
31 de dez. de 2025

Adoro ler suas crônicas histórias e contos. Você é espetacular 😍 😍 😍

Curtir

Eliane Cornelsen
Eliane Cornelsen
30 de dez. de 2025

Que tipo de gente é essa que leva barulho para a praia? Se for perguntada dirá: Se for para ficar sem fazer festa e ferver fico em casa. Mas festa para quem? Barulho e festa de alguém que se atropela para se fazer ouvir mais que os outros e que já tomou todas é uma festa que não combina com o som do mar(só acho). Eu viajo nas tuas crónicas, respirei a maresia e ouvi os sons, da bola jogada, das crianças e vendedores passando. E ouvi o som melodioso do mar. Mar Mara amor a vida e a todos e a estes dias novos que virão. Carinhoso abraço Prima.

Curtir
bottom of page