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O tempo voa

  • Foto do escritor: Mara Cornelsen
    Mara Cornelsen
  • 14 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Escandalizei-me ao perceber que já estamos em meados de dezembro. Caramba, o tempo está passando rápido demais. Quando eu era criança o Natal não chegava nunca, os dias eram longos e a gente conseguia fazer um montão de coisas. Atualmente, nesta "adolescência da velhice", como diz a minha irmã se referindo a quem já ingressou na casa dos 60, tudo parece ter uma rapidez incrível. Nem bem curti o Carnaval e guardei as cestinhas do coelho da Páscoa, descubro que estou atrasada na compra dos presentes de Natal. Haja fôlego, energia e força de vontade para enfrentar esta maratona anual que o calendário capitalista nos impõe.


Acreditei que quando me aposentasse do estressante jornalismo diário praticado em jornal impresso e em programas de rádio, iria sossegar um pouco; respirar com menos aflição, curtir dias mais longos, noites mais tranquilas, aquelas que costumam chamar de sono reparador. Que nada! Um turbilhão de tarefas e atividades foram surgindo, engolindo as horas e embolando o meio de campo.


Continuo comprando livros e continuo com a leitura atrasada. Pego o celular para responder uma mensagem e quando dou por mim a mão está amortecida de segurar o aparelho; passaram três horas e nem percebi. Invento de pesquisar sobre um carro ou objeto qualquer que desejo comprar ou apenas conhecer e entro numa roda viva de anúncios intermináveis, ofertas mirabolantes e um mar de tentativas de golpes. Tenho a terrível sensação de que há um espião dentro do celular que conhece mais de mim do que eu mesma!


Visitar amigos exige quase uma engenharia para organizar datas e horários. Estão todos tão ocupados que quando cinco comparecem num encontro marcado com dez pessoas, dá para considerar que a meta foi batida! Corre-se ainda o risco de que pelo menos dois dos convivas só estejam dando "uma passadinha" porque tem outros compromissos agendados.


Lembra do tempo em que a gente ia nas casas das tias, dos primos, dos avós na maior cara de pau, de surpresa? Não avisava da visita e ninguém se incomodava. Se conseguia até tomar um café da tarde, com pão de casa e doce de banana feito na hora. Hoje a possibilidade de se dar com a cara na porta é muito grande, se não avisar antes. E para avisar é preciso mandar uma mensagem pelo "zapzap", que nem sempre é visualizado; ligar para perguntar porque não leu a mensagem, ajustar data e horário para a visita (igual ir ao dentista ou médico) e confirmar algumas horinhas antes, para não dar furo.


Falta de tempo parece uma doença crônica do século XXI. As estatísticas demonstram que a população está envelhecendo e mesmo assim não se reduz o ritmo de vida. Quem tenta reduzir a marcha é logo atropelado por quem vem atrás. Passam por cima sem o menor pudor.


Nossas agendas vão se enchendo de cruzes ao lado dos nomes dos que já foram para o andar superior e, estranhamente, os grandes encontros de parentes ou amigos acontecem nos velórios. Já parou para pensar quantas vezes, num velório, pessoas te disseram (ou você disse): "precisamos nos ver, marcar alguma coisa, não dá para se encontrar só quando morre alguém". E o tal encontro nunca acontece. Uma lástima!


Quem sabe naquelas promessas que a gente costuma fazer na noite de 31 de dezembro, eu peça ao Universo que o tempo passe mais devagar. Sinto saudades das tardes modorrentas da infância e das noites bem dormidas. Dos momentos de não fazer nada e dos longos encontros com os amigos. Mas agora vou ficando por aqui, pois o amigo leitor/a deve ter muita coisa para fazer e leituras longas às vezes tomam muito tempo.


relógio se desfazendo com o tempo passando

1 comentário


Eliane Cornelsen
Eliane Cornelsen
14 de dez. de 2025

Prima como sempre me encantei com a tua maneira de preencher linhas com as tuas ideias, que sempre me fazem pensar, meditar, aprender e pensar por que nunca pensei nisso antes. És perita em juntar sílabas e trazer sentido e consegue dar palavras a sentimentos, sensações e pensamentos complexos que sinto, mas não consigo articular ou nomear e externaliza algo que concordo e que todos que corremos no cotidiano concordamos, mas não concordo que tenha a ver com ingressar nos 60, pois jovens e crianças estão sentindo este mesmo: o tempo esta passando muito rápido, só que eles já nasceram assim( riso) e não viram a demora da chegada de outro Natal ou as férias da escola que pareciam intermináveis…

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