Renascimento e a guerra
- Mara Cornelsen

- há 1 dia
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A Páscoa é uma das comemorações religiosas que eu mais gosto. Pelo fato de o seu significado ser o renascimento. E também por acontecer sempre na lua cheia, a mais bonita que aparece no céu. Não sigo todos os ritos inerentes à esta época do ano, mas respeito muito, assim como respeito todas as religiões, inclusive as que não comemoram a Páscoa. Cada uma delas tem sua beleza, seus rituais, suas músicas, mas todas nos remetem aos mesmos ideais de fazer coisas boas e disseminar o amor.
O importante, acredito, é o período de reflexão que nos propicia este renascimento. É uma boa oportunidade de pensar em nossas atitudes e refiná-las. De transformar incertezas e inseguranças em atos de fé em si mesmo e força para vencer as intempéries. De saber o quanto é importante se fazer o bem sem olhar a quem.
Tenho um amigo radialista, com quem trabalhei muitos anos - tempos dos quais tenho grande saudade - que sempre dizia: "ninguém é tão rico que não precise de nada e nem é tão pobre que não tenha alguma coisa para dar". Lógico que ele não se referia a bens materiais. A frase marcou muito em minha vida, dada a singeleza e a verdade nela contida. Estender a mão para alguém num momento de necessidade independe de condição financeira. Só depende da grandeza da alma.
Muitas vezes uma palavra, um sorriso ou um abraço são suficientes para espantar uma tristeza, fortalecer uma amizade ou simplesmente aquecer um coração que está aflito. E quando isso acontece, a gente renasce.
Vivemos tempos bicudos, com guerras inexplicáveis movidas pelo ódio. Cidades destruídas, inocentes crianças mortas, meninos soldados que voltam para casa mutilados, carregando lembranças daqueles que não puderam voltar. Guerras decididas em gabinetes por engravatados que jamais vão para o campo de batalha. Preciosas vidas trocadas vergonhosamente por petróleo e outros bens, ou extirpadas em nome de inexplicáveis guerras "santas".
Decisões bélicas nos trazem os mais tristes exemplos. Revoltantes exemplos. Um sofrimento atroz e desnecessário que apensas serve ao ego dos que se acham os donos do mundo. Numa guerra ninguém tem razão. Na guerra ninguém renasce, portanto, na guerra não existe Páscoa. E isso é muito triste!




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