Mundo pra lá de estranho
- Mara Cornelsen

- há 2 dias
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Plantei um pé de melancia e hoje colhi uma melancia com quase seis quilos. "E daí?" você pode perguntar. "Queria colher o quê? Repolho?" Não, eu queria colher melancias mesmo. Ocorre que ultimamente os fatos acontecidos neste Brasil são tão estapafúrdios, que quando uma coisa absolutamente normal ocorre, a gente até estranha. E, confesso, estou muito assustada com as coisas que estão acontecendo.
Passei semanas sem escrever aqui por dois motivos, indignação e falta de motivação. Toda vez que a tela em branco do computador se apresentava, minha inspiração ia embora. Apenas coisas tristes, dolorosas e revoltantes vinham à minha mente e me recusei a tocar nestes assuntos. No entanto, as notícias atuais me fizeram pensar que temos o direito de nos manifestar, de expor nossas dores e revoltas, para quem sabe, com isso poder proporcionar dias melhores num futuro próximo.
Manchetes de sites e outras redes sociais dão conta de que um oficial da Polícia Militar de São Paulo, acusado de matar a própria esposa (também servidora da corporação) com um tiro na cabeça, à queima roupa e sem qualquer chance de defesa para a vítima, foi simplesmente aposentado à toque de caixa (em uma semana), com salario de 20 mil reais, para que não perdesse o posto e a renda mensal, caso seja condenado pela Justiça comum, onde deverá ser submetido a julgamento, já que todos os indícios demonstram ter sido ele o autor do crime.
A corporação está protegendo seu pupilo, que se intitulava "macho alfa", "o provedor", o "rei da testosterona" e com isso agredia e humilhava sua companheira, linda e bem mais jovem que ele. Na verdade um macho violento e inseguro, que já havia perturbado outras mulheres policiais e nunca tinha sido repreendido. Causa revolta saber que a PM paulista, com esta atitude protetora, desrespeitou todas as mulheres do País e especialmente todas as mulheres policiais, pois demonstra na cara dura que o crime compensa. O sujeito mata e é premiado com uma aposentadoria. Tem alguma coisa muito errada aí. Creio que plantaram maçã e nasceu um pé de melão de São Caetano, a fruta mais amarga que existe.
Antes disso, um caso de estupro coletivo de uma jovem de 17 anos, desta vez ocorrido no Rio de Janeiro, já havia provocado um tsunami de revolta. Cinco amigos a encurralaram num quarto e abusaram da garota cruelmente. Na saída, no elevador, vangloriam-se de seus feitos e das suas condições de "machos". Foram presos, confessaram, deverão ser punidos, mas nada do que se faça poderá apagar da vida da garota tamanha brutalidade.
Suas cicatrizes serão eternas, como também as são no meu coração de mulher e de mãe. O que leva rapazes de vida abastada, criados em apartamentos de luxo com mordomias e boas escolas, se transformarem em verdadeiros monstros? Se alguém puder, que explique. Neste caso, creio que os pais plantaram lírios e nasceram urtigas.
E ainda, acompanhando o noticiário, vejo um sujeito, candidato à presidência do Brasil, fazendo um discurso nos Estados Unidos, avisando que caso venha a ser eleito, irá entregar terras raras e outros minérios importantes do nosso País, de mão beijada, para o grande Tio Sam. Diz ainda que colocará o Brasil em posição submissa ao "grande irmão branco" e que permitirá interferência total na nossa política e nas nossas leis. Oi? Entendi direito? Alguém tem condições de explicar o quê está acontecendo? Algum brasileiro teria coragem de votar num sujeito destes? Espero que não, pois um cara assim, por onde passa, deixa um rastro de destruição que não nasce nem grama. Não adianta querer plantar nada.
Este primeiro trimestre de 2026 realmente não foi fácil. Enumeraria dezenas de ocorrências desastrosas e abomináveis, tendo especialmente mulheres como vítimas. Mas, vou ficando por aqui para não estressar demais o meu prezado leitor(a). Para relaxar, vou cuidar do meu pé de melancia, que me propiciou uma alegria real, sem qualquer surpresa escabrosa. Foi leal e cumpriu o que era esperado dele. Simplesmente produzir melancias.




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