top of page
Buscar

Ano velho

  • Foto do escritor: Mara Cornelsen
    Mara Cornelsen
  • 20 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

Nem bem acordei e já estamos num ano velho. Ainda sinto o cheirinho do pernil no forno para comemorar a virada para 2025 quando percebo que já estamos no calcanhar do término do primeiro semestre. Coisa de maluco, o tempo nos atropela. É como se os dias tivessem menos horas e as horas menos minutos. Fico a me perguntar se isso acontece porque estamos ficando mais velhos e então vamos nos demorando mais para cumprir as tarefas diárias, fazendo com que o tempo passe num piscar de olhos. Ou a culpa desta sensação do voar do tempo tem a ver com o uso intenso das novas tecnologias que nos envolvem e absorvem!


Não sei responder. Só sei que tenho saudades das tardes modorrentas da minha infância nas quais ficávamos inventando coisas para fazer e elas - as tardes - não acabavam nunca. Chegar o fim de semana era uma coisa tão demorada, como a chegada da Páscoa ou do Natal. Aniversário então, nem se fala, não chegava nunca! Hoje em dia a gente mal tira a fantasia do bloco carnavalesco e já entra no supermercado se deparando com as cortinas de ovos de Páscoa tomando conta dos corredores. Dia disso, dia daquilo e tudo se atropela, num amontoado de comemorações que sequer chegam a ocupar o coração das pessoas, mas que costumam abrir buracos nas contas bancárias.


E no galope de 2025 muitas notícias tristes vão de acumulando, assim como perdas irreparáveis. Que falta fará o Papa Francisco, um ser humano iluminado, humilde, bondoso, inteligente e antenado. Não fugia dos problemas nem os escondia embaixo da batina. Pelo contrário, jogava um holofote em cima deles, escancarava-os para que fossem encontradas as soluções. Assim como o líder dos católicos também nos deixou Divaldo Pereira Franco, praticante e líder da doutrina espírita. Teve a vida voltada para o bem do próximo, ensinando que há muito mais entre o céu e a terra, do que a vã filosofia do homem. Era também um iluminado, um ser do bem. Quiçá continue emanando suas boas energias de onde estiver agora.


Longe das religiões, mas também muito perto da gente, Pepe Mujica foi outro que nos deixou. Ex-presidente do Uruguai e ex-senador, Mujica era o símbolo da simplicidade. Foi guerrilheiro do Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros e por isso ficou muitos anos na prisão, durante a ditadura Uruguai. Lutou por uma causa justa e humana. Ele se dizia agricultor e florista e mesmo quando presidente de um País permaneceu morando em sua chácara e andando de fusquinha. Foi um homem que pegou em armas, mas não perdeu a doçura. Deixou ensinamentos que deveriam ser aprendidos por presidentes de todo o mundo.


E assim os dias vão passando. Perdemos gente de carne e osso e ganhamos inteligência artificial; bebês reborn (de plástico, com cara de criança original) que parecem que ganharão vida a qualquer momento; temos carne saída de uma máquina que reproduz coisas bem parecidas com as verdadeiras... Vitaminas de laboratório ao invés de verduras; canetas que fazem emagrecer ao invés de fechar a boca e fazer exercícios; amores virtuais ao invés da pegação em boates;  enfim caminhamos para um mundo inexistente que insistimos em criar.


Olho para o relógio e lá se vai mais um dia. Engulo a comida feita no micro-ondas. Checo as últimas notícias das redes sociais. Confiro e-mails. Abro WhatsApp, respondo aos amigos, à família, ao médico, ao personal, à manicure, à vizinha, ao dono do pet, ao porteiro e ao síndico. Mando beijos à afilhada; emojis de felicitações ao sobrinho que se formou, e outros menos elegantes ao colega que "furou" ao encontro de trabalho. Respiro. Fico espantada! Passou mais um dia? Como assim? Nem percebi!


Desligo o computador e juro que hoje não toco mais no celular. Volto a perguntar como o tempo está passando tão rápido. Dias mais curtos?


Vários relógios marcando o tempo







1 comentário


Eliane Cornelsen
Eliane Cornelsen
30 de mai. de 2025

Prima amei demais cada palavra do texto Ano Velho e me identifiquei com tudo. Anos atrás assisti no Programa do Jó um cientista dizendo que 24 horas do dia agora(na época) tinham a sensação de 17. E agora então? Adorei o teu: caminhamos para um mundo inexistente que insistimos em criar. E as citações a estes 3 queridos que partiram cada um mega amado e importante em seus segmentos de atuação e que possam seguir enviando vibrações para nós terráqueos que vivemos no mundo da lua e não encontramos tempo para o real: A avó amada e amável que se despede do mundo. O bebezinho que nos sorri e quer ter a nossa atenção, A pessoinha quase invisível na ru…

Editado
Curtir
bottom of page